Camaradas, primeiramente gostaria de ressaltar a importância de utilizarmos a lista meef como ferramenta para avançarmos nas discussões e na atuação do nosso movimento. O debate de rompimento com a UNE e reorganização do Movimento estudantil perpassou todo o nosso último Encontro, que obviamente não contou com a participação de todos os estudantes de EFi que através dessa discussão via lista pode ir acessando e consolidando suas posições e concepções políticas.
Acreditamos que política de verdade se faz a partir de um programa, de uma forma organizativa e de um método, e em todos esses âmbitos a ExNEEF se afasta progressivamente da UNE. Quando o camarada Dinho coloca que a UNE é uma entidade democrática composta por diversas correntes de pensamento político, esquece-se de ressaltar que a entidade também tem uma forma organizativa que permite à um grupo dirigir a linha de programa e atuação política da entidade, ou negaremos que a 20 anos a UJS é direção majoritária da entidade, que com políticas mercantilistas (seja o monopólio das carterinhas ou as parcerias), permitem que esse único grupo e seus aliados atuem nas Universidades Privadas, que historicamente são os locais de maior dificuldade de inserção para o ME autônomo e combativo, e que formam a grande bancada de delegados nos Congressos da entidade, além de fóruns onde a oposição é limada com práticas no mínimo duvidosas, espaços políticos para a base competindo com grandes festas, tiragem de delegados muito pouco transparentes, forjando assim uma burocracia cristalizada dentro da entidade que contradiz com a aparência democrática da UNE.
Se há uma burocracia, o programa da entidade necessariamente expressará sua linha, e na UNE isso fica evidenciado quando a entidade apóia sem restrições todo o projeto de Contrarreforma Universitária, apóia a política de esportes do país, obviamente por ser a pasta do PCdoB no governo, aprova o novo PNE restringindo a crítica somente à porcentagem do PIB, inclusive defendia e tem defendido boa parte dos políticos corruptos do mensalão, acrescenta-se à isso tudo que os demais camaradas já citaram anteriormente.
Quanto ao método da entidade, no último ano vivenciamos um dos maiores movimentos grevistas do último período, que por si só já ia de encontro ás concepções políticas da UNE, pois não foram poucas as Universidades a afirmarem que a greve tinha nome, e esse nome era o REUNI, programa carro-chefe da contrarreforma e amplamente defendido pela UNE, e ao longo do processo
de greve víamos que quanto mais o movimento ganhava força mais esforços a UNE fazia para freá-lo, chegando ao cúmulo de armar um grande teatro junto ao Mercadante para aprovar 10% do PIB, para 2023, sem especificar os destinos dos recursos e previamente anunciado que provavelmente não seria cumprido, uma atitude claramente pelega dessa entidade, método esse contraditório ao defendido pelo MEEF, que prioriza a ação direta, a articulação com os demais setores da classe, a busca pela conscientização da sua base.
Ao nos determos a analise dessa última greve, veremos que os questionamentos que o camarada Dinho levanta em sua último email não condizem com a realidade. O próprio MEEF avalia que a maior conquista da campanha pela formação unificada, não é sua implementação imediata, mas sim a consciência de que para conquistar a formação que perspectivamos, precisamos também transformar radicalmente nossa Universidade e o modelo sócio econômico vigente, e que para isso é necessário organização e luta, nesse sentido a campanha foi vitoriosa, se constitui como uma grande escola de luta para o movimento em um período tão frágil como o nosso. Tal compreensão repercutiu na greve, quando em nosso último ENEEF tivemos repasses que as mais de 40 escolas presentes estiveram inseridas nos processos de luta, em muitos lugares articulados aos sindicatos e outros setores da classe, ora isso não dialogar com si mesmo, nem se trata de uma política sectária. Outro exemplo são as lutas que todo início do ano eclodem em várias cidades do país, a luta contra o aumento das passagens, em muitas delas o MEEF está inserido. No próximo mês teremos um FENEX que debaterá o processo de reorganização do ME e terá um espaço proposto pela ExNEEF para debater Universidade e Formação, levando para outras executivas o debate que temos feito em torno da formação, não são poucos os espaços que a exneef tem sido chamada para contribuir nesse debate, inclusive temos um texto publicado na revista do ANDES que debate o financiamento para a educação do país, acho que essa materialidade demonstra que estamos na medida dos limites históricos acumulando e socializando esse acúmulo. Obviamente que uma entidade nacional potencializaria esse processo, porém essa entidade necessariamente precisa ser um espaço democrático de disputa para que seu programa e sua atuação confluam com o da ExNEEF e dos demais setores que defendem uma Educação Pública e de qualidade, articulada a um projeto de sociedade que supere as contradições atuais, e certamente essa entidade não é a União Nacional dos Estudantes.
-- Abraços
-- Mateus Ballardin
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DCE - UFRGS
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Coordenação Geral
Gestão 2012-2013
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