CONSTRUIR A UNIDADE A PARTIR DE PRINCÍPIOS
A atual gestão da Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF) divulgou uma nota no final do ano passado com o título “2014: superar os velhos vícios para construir a unidade na luta”. Julgamos necessário apontar alguns elementos que não apareceram na nota da ExNEEF. Afinal, os levantamentos de junho/julho de 2013 deixaram vários ensinamentos, portanto, não devemos repetir velhos erros.
Quando falamos em unidade da esquerda, devemos dizer de que esquerda estamos tratando. Afinal, o que mais vemos são oportunistas travestidos de esquerda, revisionistas das obras marxistas a fim de justificarem seus atos podres. Sendo assim, é importante destacar que não consideramos esquerda quem participa ou defende (seja por voto critico ou acrítico) a Farsa Eleitoral, disputando lugarzinhos confortáveis no parlamento. Como Lênin afirmou em “O Estado e a Revolução”:
Marx apreendeu magnificamente esta essência da democracia capitalista ao dizer na sua análise da experiência da Comuna: autoriza-se os oprimidos a decidir uma vez de tantos em tantos anos qual precisamente dos representantes da classe opressora os representará e reprimirá no parlamento!
O oportunismo também está dentro do movimento estudantil, seja em coletivos/entidades ligados a esses partidos (ANEL, UNE, Levante Popular da Juventude, UJS, entre outros), partidos que ainda não disputam eleições, mas fazem sua defesa (Partido “Coletivo Marxista”) ou em coletivos que se dizem independentes, mas defendem partidos como PSTU e PSOL como partidos de esquerda, o que se vê claramente dentro do MEEF, principalmente pelos estudantes que construíram o coletivo Tecer Amanhãs. A tese mais defendidas por esses grupos é de entrar pro “menos pior” e fazer a “disputa interna” no partido.
As máscaras caem quando chega o período da Farsa Eleitoral. Nesse momento, vemos que o objetivo principal é o Parlamento. Para conseguirem suas cadeiras no parlamento, abandonam todos os Princípios Socialistas/Comunistas (na verdade, nunca tiveram, são socialistas de palavras e reformistas de fato) fazem “unidade”/aliança com a direita declarada ou com os partidos de “centro”. Confirmam assim, a tese do Partido Único da Burguesia.
Portanto, quando falarmos de Unidade da Esquerda para formação de Blocos e Frentes de Lutas, devemos destacar que devem ser blocos e frentes independentes dessa canalha eleitoreira. Essa posição é um Princípio de Esquerda. Também é um princípio de segurança. Não estamos querendo proibir esses grupos de participarem das manifestações, mas eles devem se organizar entre eles, em seus blocos ou frentes, assim como fazem no jogo eleitoral. Mas, o povo combativo não pode se organizar e definir seus métodos (inclusive de enfrentamento à repressão) com a presença desses oportunistas. A prática deles é contrária ao que Marx e Engels defendem:
“Longe de opor-se aos chamados excessos, aos exemplos de vingança popular por indivíduos odiados ou edifícios públicos aos quais só se ligam recordações odiosas, não só há que tolerar estes exemplos mas tomar em sua mão a sua própria direção”. (Mensagem da Direção Central à Liga dos Comunistas, Março de 1850).
No ano de 2013 várias máscaras foram retiradas. Apesar de participarem das manifestações, partiram para o caminho da condenação dos “vândalos” e “Black Blocs”, fecharam acordos com a polícia tornando-se verdadeiros delatores e, por fim, trilharam o caminho da desmobilização. Vejamos alguns exemplos: em MG - PCR, PSTU, PSOL e outros grupos travestidos de “Assembleia Popular Horizontal" e "Comitê Popular dos Atingidos pela Copa" fecharam acordo com o governador Anastasia (PSDB) mudando o percurso do ato e compondo comissão junto com a Polícia Militar; Em SP - o MST fez cordão de isolamento pra defender um prédio da Globo de depredação; no RJ - os pelegos do PSOL, PSTU, PCR, PCB, entre outros, descumpriram as deliberações tiradas em uma plenária com cerca de 3 mil pessoas (onde suas posições não foram aprovadas) e organizaram um ato em outro horário e local, fragmentando o movimento e desmobilizando a manifestação na final da Copa das Confederações; no ES – os oportunistas do PSOL propuseram a não realização de ato de rua em detrimento de um seminário, onde aprovaram deliberações para desmobilizar as manifestações. Essa é a unidade desses grupos oportunistas e traiçoeiros.
No MEEF não foi diferente. No último Encontro Nacional podemos identificar a aliança entre um membro do PSTU/ANEL com um membro do coletivo Construa, um satélite do PSOL/Oposição de Esquerda da UNE. Vimos o Partido "Coletivo Marxista" indicar para coordenação da Regional 2 esse mesmo membro do Construa, satélite do PSOL/UNE, além de indicar um Policial Militar. Vale destacar, que os dois indicados são da UFES e não da UFRJ (base do partido) e a base da UFES já tinha discutido essa pauta e optado por não indicar esses dois estudantes. Também presenciamos as manipulações de coordenadores nacionais da UFSM, UFRGS e UEFS em processos de votação na plenária final. As práticas dos militantes do coletivo Tecer Amanhãs estão apontadas na “Nota sobre o I CoREEF” do Centro Acadêmico da UEM. Enfim, a máscara do oportunismo no MEEF também caiu em 2013.
Os velhos vícios de hegemonismo e autoconstrução devem ser superados, começando pela própria ExNEEF, principalmente na coordenação nacional. A não modificação do estatuto só favorece o hegemonismo atual, onde os grandes acordos entre grupos oportunistas (como visto no último ENEEF) garantem a eles todas as cadeiras. A autoconstrução também deve ser combatida, principalmente na escolha dos palestrantes para os espaços, onde se repetem os mesmos nomes de cada grupo todos os anos.
Portanto, em 2014, além de superar os velhos vícios de hegemonismo e autoconstrução, devemos superar os velhos vícios de acreditar na canalha oportunista que defende a Farsa Eleitoral. Romper com o oportunismo e o revisionismo dentro do movimento não é sectarismo, é uma questão de princípio.
Unidade de Esquerda com quem é de Esquerda!
Abaixo o revisionismo e o oportunismo!
Abaixo a Farsa Eleitoral!
Abaixo a Copa FIFA!
Viva a Revolução de Nova Democracia!
Movimento Estudantil Popular Revolucionário
MEPR/ES
Rafael Carvalho Lages
Graduando em Educação Física, CEFD/UFES.
Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física, ExNEEF.
Karl Marx






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