Caros companheiros educadores matemáticos da lista SBEM
No próximo dia 14 de fevereiro darei a palestra de encerramento da Semana da Matemática da Universidade Federal do Paraná – UFPR, que tem carinhosamente me acolhido nos últimos 12 meses. (ver anexo abaixo)
Aqueles/as que me conhecem devem suspeitar que se trata, obviamente, de uma provocação e uma crítica à mesmice: dos livros didáticos (como autor estou preparado para as possíveis pedradas); dos currículos bem comportados, preguiçosos e desatualizados; e das metodologias de free shop, ou seja, aquelas ancoradas nos rótulos de grife e não na profundidade do conteúdo e da teoria.
Pretendo discutir algumas práticas didáticas que entendo serem "aberrações" - tópicos acima de quaisquer suspeitas, em geral, ensinados do velho modo conservador e acrítico - situando-os historicamente nos currículos que os precederam e os geraram, apontando suas incongruências advindas de uma relação inercial e osmótica com propostas curriculares tradicionais, . . mas tradicionais mesmo, ou seja, carregadas de cacoetes dos anos 1940 e 1950, além dos malfadados anos 1960 e 70, marcados pelo Movimento da Matemática Moderna.
O resultado de tais práticas é o que foi denominado por Malba Tahan como "algebrismo" (não gosto do nome, mas concordo com o sentido e a crítica) e por Hans Freudenthal por "inversão didática".
Meu objetivo, entre outros, é o de abrir junto á comunidade (em especial a SBEM: diretoria, lista e filiados) uma discussão sobre a ausência de debate profundo sobre propostas curriculares e o receio de que instituições as imponham sem discussão,como pode ocorrer com o MEC (Direitos de Aprendizagem de 6º a 9º anos) ou secretarias estaduais e municipais de educação (SEEs,SMEs) que são alvos fáceis de sistemas de ensino, que por motivos políticos ou econômicos as tornam consumidoras vorazes de projetos supostamente didáticos. Suspeito que as reformas e/ou diretrizes curriculares, por não estarem sendo amplamente debatidas nas comunidades de pesquisadores em Educação Matemática em espacial e de professores reflexivos do EF e EM em particular, correm o risco de ficar aquém das necessidades da sociedade.
Aproveito para colocar minha posição de que não considero uma boa prática a participação da SBEM em comissões - restritas - pela mera indicação de membros sem que estes sejam legitimados pelos seus representados e que não abram debate com os mesmos sobre o objeto de sua representação;.
Bigode
PS.: Após a palestra disponibilizarei os slides em .ppt ara receber a justa crítica.
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