| Queridos (as) amigos (as) da EJA, É com imensa alegria que compartilho a proposta dos educandos de EJA oriunda da discussão ocorrida no XXI Encontro de Educação de Jovens e Adultos Trabalhadores, dia 02 de junho de 2016. Antes, porém, faço um relato da minha experiência vivida no dia 02/06/12 junto aos educandos da EJA. Preciso fazer isso para partilhar um pouco da grandeza dessa experiência. Grandeza essa que me faz, ainda hoje, estar rindo à toa de tanta felicidade. Fui para o encontro Distrital para participar enquanto GENPEX (Grupo de Ensino Pesquisa e Extensão em Educação Popular), como SEU-EJA (Segmento de Estudantes Universitários em prol da EJA) e como Proeja Transiarte. Com esses atributos a minha participação seria predominantemente no segmento das universidades. Durante o encontro, a prof. Madalena, coordenadora do GTPA-Fórum EJA, solicitou ao segmento do SEU-EJA que alguém acompanhasse a discussão junto aos Educandos da EJA. Esse acompanhamento ao Educando da EJA desde o ano passado já vem sendo pauta de discussão do SEU-EJA. Assim, discutimos no segmento do SEU EJA quem poderia ficar com os educandos da EJA e para minha alegria eu fui a selecionada. Para bem da verdade, voluntariamente me candidatei, já que estar próxima aos educandos da EJA é o que realmente dá sentido à minha vida. E assim aconteceu. Fui para o segmento dos educandos da EJA. Encontro inesquecível. MARAVILHOSO. Iniciei a reunião do segmento propondo uma apresentação de cada um. Comecei me apresentando como estudantes da universidade, disse da minha origem mineira e da minha alegria de estar junto a eles. Em sequência a minha fala, cada educando da EJA foi se apresentando. Cada um colocava sua história de vida. Sua verdade. Com voz baixa ou com voz alta cada apresentação era um aprendizado de vida. As palmas para cada um eram inevitáveis. Eram um incentivo. Fiquei emocionada. O barulho das palmas era tanto que a coordenação do encontro veio falar para baixarmos o volume que estávamos incomodando os outros grupos. Quem disse que consegui controlar? Batemos altas palmas para todos(as) estudantes. Após as inúmeras palmas, a educanda Maria Luiza do Paranoá já iniciou o debate fazendo sua avaliação do valor de R$ 250,00 que é pago às(aos) alfabetizadoras(es) do DF alfabetizado. Tentando organizar a discussão que já iniciou muito quente, pontuei começassemos então o Programa DF Alfabetizado. À medida que uma pessoa colocava uma questão, buscava ouvir todos os alfabetizandos/estudantes da EJA. O que estava em silêncio era o meu "alvo preferido". Não queria que ninguém ficasse calado. Às vezes as falas ficavam centralizadas. E, imediatamente, já tentava equilibrar o processo colocando outras vozes na roda. Não foi fácil, mas acho que ninguém ficou sem se colocar. Inclusive, um dos Josés da roda (tinham dois). Ele falava baixinho. Quase ninguém ouvia, mas também deu seu "pitaco" na conversa. O que mais me encantou na discussão é que as falas dos educandos da EJA não ficavam só em solicitações genéricas, eles esclareciam o que queriam com exemplos concretos. Eu fazia alguns questionamentos, coordenava o tempo de fala e, ao final da discussão sobre um assunto, registrava as ideias centrais em uma cartolina grande que coloquei sobre o chão. Havia momentos que todos começavam a falar juntos. Foi INCRÍVEL. Um barril de pólvoras. Uma vitalidade impressionante. As propostas dos educandos foram: DF Alfabetizado (A maioria dos educandos da EJA eram do DF Alfabetizado, somente Rosa era do CESAS) 1- Denunciaram o salário atrasado das alfabetizadoras do DF alfabetizado. Estão indignados com isso. 2- Questionaram o valor da bolsa das alfabetizadoras do DF alfabetizado. Consideram o valor muito baixo. A educanda Maria Luiza disse que o valor que as alfabetizadoras estão recebendo é menor do que o que ela recebe como diarista. 3- Denunciaram que o material do DF alfabetizado não chegou. Solicitam esse material ao GDF. 4- Questionaram a questão do Lanche. Eles não têm lanche. Afirmaram que não querem lanche que causa diabetes. Querem lanches saudáveis (sucos, frutas, iogurte e refeições). 5- Denunciaram que nas escolas não têm papel higiênico e isso é um desrespeito. 6- Pediram a consulta de óculos. Disseram inclusive que não querem qualquer tipo de óculos, querem óculos bons. Denunciaram que óculos ruins causam cegueira. 7- Reivindicaram que como estudantes do DF têm direito a vale transporte. 8- Reivindicaram informática. Disseram que os jovens têm direito e os idosos também. Querem informática. 9- Querem informática e professores que saibam dar as aulas de informática. Não adianta nada se o professor não souber dar a aula de informática. 10 - Reivindicaram cultura (dança, esporte, música). A discussão da cultura foi calorosa. Maria Luiza disse que eles já tiveram a vida toda para dançar. Por outro lado, a maioria dos educandos da EJA, inclusive as mais idosas da roda, foram contrárias a posição de Maria Luiza. Disseram que dança faz bem para saúde. Reforçaram a importância do lazer. Inclusive teve um educando (esqueci-me o nome dele) que também defendeu a proposta da cultura. 11- Começaram falando do artesanato que isso era importante para eles. Vários educandos colocaram o que já fazem. Fazem de tudo (costura, bordado, flores, pedreiro etc). Chegamos à discussão de EJA com profissionalização. Uma das educandas colocou que o trabalho é muito desvalorizado que temos que aprender a DAR VALOR NO TRABALHO. Eles propuseram cursos de: corte, costura, gastronomia, cabelereiro, artesanato, mestre de obras, veterinária, vigilante, eletricista, pedreiro, artes, manicures e motorista). Fechamos a discussão do segmento com um abraço coletivo e individuais e uma avaliação de cada um. Palavras de amor, união, coração, força, continuar estudando e seguindo em frente foram faladas. Fomos para a plenária. Organizamos rapidamente quem iria ler a cartolina e quem iria segurar. Na hora da apresentação, foi um show!!!! Eu fiquei surpresa. Superou minhas expectativas. Eles falaram com autoridade. Autoridade de quem sabe o que quer e tem dignidade. Foi lindo. Fiquei emocionada. A plenária já estava esvaziada, mas quem estava lá vibrou com os educandos da EJA. Foi incrível!. Com esse encontro confirmei mais uma vez os meus estudos do mestrado que defendem a formação integrada do sujeitos da EJAT. Sem eu fazer nenhum esforço eles ratificaram uma proposta educativa que tenha lanche saudável, trabalho, cultura, dignidade e respeito. Foi incrível. Sinto que estamos no caminho certo. Vamos continuar caminhando... melhorando a cada dia o nosso acolhimento ao educando da EJAT, seja na sala de aula como nos encontros de EJAT do DF e do Brasil. Com gratidão a Deus e a todos os companheiros da EJA, Julieta |
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